Romero Jucá, relator do projeto na CAE: setor precisa de regras claras
A Lei 12.154/09, que cria a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), está em vigor desde 23 de dezembro, quando foi sancionada, com vetos, pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. A Previc funcionará como órgão fiscalizador das atividades de entidades fechadas de previdência complementar, funções atualmente exercidas pela Secretaria de Previdência Complementar. Hoje existem 372 entidades, 6,5 milhões de participantes e um patrimônio avaliado em cerca de R$ 450 bilhões (17% do produto interno bruto).
A autarquia terá receita própria, composta por uma taxa de fiscalização a ser paga pelas entidades fiscalizadas.
Os vetos resultaram de análises técnicas do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, do Ministério da Previdência Social e da Advocacia-Geral da União.
Sob a alegação de contrariedade ao interesse público, o Executivo rejeitou estabelecer em lei o número exato de cargos, “para que eventuais extinções e realocações de cargos possam ser realizadas, no momento oportuno, por meio de decreto presidencial”. Outro veto incidiu sobre emenda parlamentar que incluiu concessão de bolsas para servidores públicos. Tal iniciativa geraria aumento de despesas, além de ser de competência reservada ao Executivo, ressalta o presidente. O mesmo argumento justifica o veto a dois outros artigos do projeto aprovado por unanimidade pelo Senado em 16 de dezembro.
A nova lei criou também a Secretaria de Políticas de Previdência Complementar, que servirá de elo entre a Previc e o Conselho Nacional de Previdência Complementar e se responsabilizará pela elaboração de políticas de governo e de diretrizes para a previdência complementar
Tentativas
A Previc está sendo recriada, depois de uma vida brevíssima (quatro meses), e assumirá as funções da Secretaria de Previdência Complementar, do Ministério da Previdência Social.
Não se trata de mera “promoção” na hierarquia da administração federal. A principal diferença é que uma autarquia tem autonomia financeira e administrativa (pode usar mais livremente seu orçamento para cumprir as funções), o que não ocorre com uma mera secretaria de ministério.
A previsão é que a Previc tenha um orçamento de R$ 43 milhões em 2010, contra os atuais R$ 6 milhões destinados pela União à secretaria.
Além disso, a superintendência ganhará estrutura funcional própria e terá uma diretoria colegiada, com um diretor-superintendente e quatro diretores, todos nomeados pelo presidente. O número de cargos estava determinado no projeto aprovado pelo Congresso, mas foi objeto de veto presidencial.
Há quatro anos, a Câmara chegou a aprovar uma medida provisória (MP 233/04) que criou, pela primeira vez, a Previc. Passados os 120 dias previstos na Constituição, o texto não foi votado pelo Senado e, por isso, perdeu sua validade. Ou seja, a superintendência sumiu do mapa do serviço público nacional. A saída foi o governo enviar outra proposta.
Relator do projeto na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), destacou a necessidade de o Estado regular e fiscalizar o setor de previdência complementar.
Segundo Romero Jucá, a retomada do crescimento econômico prevista para 2010 ampliará as perspectivas para o setor, com novas empresas interessadas em criar planos de previdência complementar. Isso, sustentou ele em Plenário, reforça a importância da criação da Previc.
“O setor só vai crescer se existirem regras eficazes e claras para aplicação dos recursos dos fundos”, defendeu o senador.
Este material foi publicado hoje no site do Senado Federal/Jornal do Senado.